Amazonas registra muitos alertas de desmatamento ( Foto: Vinícius Mendonça/Ibama)

 

A pandemia não estagnou o desmatamento na Amazônia, pelo contrário, o acelerou. E o Amazonas foi um dos estados da região a atingirem os piores índices dos últimos dez anos. Por esse motivo, o governo do estado declarou situação de emergência ambiental na região metropolitana de Manaus e municípios da região sul.

Segundo o sistema DETER, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) no mês de maio houve um aumento de 66,7% no número de alertas de desmatamento em relação ao mês de maio de 2020. Foram 1.391 km² de área de alertas.

Quando decidiu publicar o decreto nº 44.039 o governo levou em consideração os altos índices de alertas no Amazonas, levando em conta os dados que tinha antes do dia 15 de junho, que correspondiam ao período de 1º a 28 de maio, portanto, sem contabilizar o mês todo. Até aí – como foi citado no decreto – o Amazonas, tinha uma área de 288,67 km² com alertas de desmatamento, um aumento de 115% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A alta dos alertas de desmatamento indica o aparecimento de áreas prontas para a queima ilegal no segundo semestre do ano, período mais seco e propício para a prática criminosa.

Segundo o Inpe, os municípios com mais número de alertas, em ordem, são Lábrea, Apuí, Novo Aripuanã, Humaitá, Canutama, Manicoré, Maués, Boca do Acre, Tapauá e Pauini.

Para decretar situação de emergência ambiental o decreto considera a aproximação do início de estiagem na região sul do Amazonas e na região metropolitana de Manaus, que tende a aumentar os riscos de queimadas e incêndios florestais. E destaca ainda que a situação preocupante de desmatamento na região Sul do Amazonas e a necessidade de combater ilícitos.

O decreto ressalta que a pandemia não estagnou o desmatamento e tornou os povos e comunidades tradicionais ainda mais vulneráveis, “pois as políticas de isolamento não são respeitadas e às vezes não chegam a esses locais o que torna esse grupo suscetível ao contato com invasores/desmatadores”.

Ao declarar a situação de emergência por 180 dias, o governador promete intensificar o combate ao desmatamento ilegal, às queimadas não autorizadas e outros crimes correlatos.

“Eu decretei Estado de Emergência Ambiental em razão do aumento das queimadas aqui no estado do Amazonas. Isso vai facilitar e agilizar os processos que dizem respeito ao combate a esse ilícito, a essas atividades que são muito comuns nesse período do chamado verão amazônico”, ressaltou.

Segundo ele, a medida visa, sobretudo, agilizar o envio das equipes a campo, com a aquisição de passagens, pagamentos de diárias e outros serviços, dando prioridade às ações de meio ambiente, em paralelo ao enfrentamento da pandemia. É necessário ficar alerta e acompanhar se as medidas serão de fato tomadas.

Com relação a janeiro a junho de 2020, o Amazonas apresenta alta de 87,5% nos alertas de desmatamento, conforme dados do Sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os focos de calor, por sua vez, apresentaram redução de 20,7%.