Registro do “mar escuro” feito pelo biólogo Mário Moscatelli (Arquivo Pessoal/Reprodução CNN)

 

Paloma Dottori em colaboração para a Casa Ninja Amazônia

Cada vez mais o planeta é afetado pelas mudanças climáticas e os impactos não são sentidos apenas na terra. Lagos, rios, mares e oceanos também são impactados. Cientistas brasileiros ouvidos pela CNN acreditam que a alteração do clima pode ter contribuído para a mudança de cor do mar no Rio de Janeiro, que nos últimos dias afastou banhistas. Em praias da capital e de municípios, o mar escureceu ou ficou com pontos vermelhos, do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, até a Região dos Lagos, na cidade de Arraial do Cabo.

Eles explicaram à reportagem da CNN que a mudança na coloração da água é causada por um fenômeno natural de proliferação de algas marinhas, mas a duração e a extensão do acontecimento soam como um alerta. O engenheiro e oceanógrafo da UERJ, David Zee, disse que apesar de ser natural, pode se tornar permanente, devido às mudanças climáticas.

“No início do ano ia chover e não choveu. Quando a chuva chegou, lavou a cidade e levou os resíduos para o mar. Dentro desse contexto, também podemos citar a ressurgência da água do fundo do oceano, o que também explica a sensação térmica mais fria da água. Ela é rica em nutrientes minerais e orgânicos, ajudando ainda mais no fornecimento de material orgânico e proliferação das algas. Contudo, em 30 anos estudando o mar, nunca vi fenômeno tão sucessivo”, disse Zee à reportagem da CNN.

O biólogo Mario Moscatelli confirma: “em Arraial do Cabo, que o mar tem uma aparência mais azul foram vistas manchas vermelhas, logo no início do fenômeno. Há semanas venho acompanhando essa situação. Geralmente, ele dura cerca de 10 dias”. Na capital fluminense o fenômeno começou a ser observado há três meses. Ou seja, houve predominância de água gelada e escura, fora da época esperada. E o fenômeno que não costuma passar de dez dias, só que desta vez, a água está mais fria e escura, há meses.

Dentre os maiores impactos da proliferação de algas marinhas estão a contaminação de frutos do mar, aumento do fitoplâncton, efeitos como produção de espuma espessa que se acumula sobre a água e ameaça a biodiversidade costeira, a pesca e a indústria do turismo.

O aumento das algas também é um problema de saúde pública. Isto porque, quando estas algas chegam às praias e começam a apodrecer, outros problemas aparecem. Segundo Mengqiu Wang, da University of South Florida, quando as algas se decompõem, atraem insetos que podem causar irritação na pele, além do mais, a proliferação libera sulfeto de hidrogênio, e esta composição tem sido associada a sintomas neurológicos, digestivos e respiratórios. As algas encalhadas também representam uma séria ameaça à vida marinha selvagem.

Apesar de ser um problema ambiental, nós da sociedade civil podemos contribuir e recorrer a órgãos públicos e consórcios que recebem e fiscalizam denúncias de esgotos e resíduos sólidos lançados irregularmente em corpos de águas.

Alerta ao poder público

Se você vir algo que lhe chame à atenção, alerte órgãos de defesa dos direitos do cidadão e do meio ambiente.

  • MMA – Ministério Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal Esplanada dos Ministérios Bloco B do 5º ao 9º andar Brasília/DF CEP 70068-900 www.mma.gov.br  Conselho Nacional de Recursos Hídricos SEPN 505 – Lote 2 – Ed. Marie Prendi Cruz 1º andar – sala 108 (acesso pela W2 Norte) Brasília/DF CEP 70730-542  Tel.: (61) 2028-2075/2076 E
  • Agência Nacional de Águas (ANA) Setor Policial, área 5, quadra 3, blocos B e L Brasília/DF CEP 70610-200 Tel: (61) 2109-5400/2109-5252 Disque Saúde: 0800 611997 Site: www.ana.gov.br
  • Ministério Público Federal SAF – Sul, quadra 4, conjunto C Brasília/DF – CEP 70050-900 Tel.: (61) 3031-5100 Site: www.pgr.mpf.gov.br
  • Procuradoria Regional da República 1ª Região SAS quadra 5, bloco E, lote 08 Brasília-DF CEP 70070-911 Tel.: (61) 3317-4500 Site: www.prr1.mpf.gov.br
  • Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE), que fica na av. Presidente Vargas, 2.655 – Térreo – Rio de Janeiro/RJ. Ouvidoria, (diariamente, das 9hs às 10hs (atendimento prioritário) e 10hs às 16hs (público em geral) exceto sábados, domingos e feriados). Telefone: 0800 031 6032 (diariamente, das 9hs às 18hs, exceto sábados, domingos e feriados)
  • Fiscalização Ambiental Municipal- Como registrar a reclamação? Através da Central de Atendimento (1746) ou através do site http://www.1746.rio.gov.br/, que funciona 24h, todos os dias, inclusive domingos e feriados.
  • Procuradoria Regional da República 2ª Região Rua Uruguaiana, 174, 14º andar, Centro Rio de Janeiro/RJ CEP 20050-900 Tel.: (21) 2211-0700 E-mail: denuncias@prrj.mpf.gov.br Site: www.prr2.mpf.gov.br
  • Procuradoria Regional da República 3ª Região Rua Peixoto Gomide, 1038, Cerqueira César São Paulo/SP CEP 01409-000 Tel.: (11) 3281-8800 Site: www.pgr.mpf.gov.br/prr3
  • Procuradoria Regional da República 4ª Região Rua Sete de Setembro, 1133, Centro Porto Alegre/RS CEP 90010-191 Tel.: (51) 3225-2311 Site: www.prr4.mpf.gov.br
  •  Procuradoria Regional da República 5ª Região Praça Visconde de Mauá, s/nº, Ed. Rosa III, Santo Antônio Recife/PE CEP 50020-100 Tel.: (81) 2125-7300 Site: www.prpe.mpf.gov.br

 

(Com CNN)